A menopausa é uma das fases mais significativas na vida da mulher. É uma transição fisiológica, emocional e metabólica. Nela, a pele costuma ser um dos primeiros lugares onde essas mudanças aparecem.
Ressecamento, linhas finas, flacidez e a sensação de perda de viço são relatos comuns entre mulheres 40+ e fazem parte de um processo natural do corpo,¹, mas isso não significa que não exista cuidado possível.
Um dos pontos centrais dessa conversa é o colágeno, tanto o que o corpo produz quanto aquele que muitas mulheres consideram suplementar. Entender o que muda e o que pode ajudar é o primeiro passo para acolher essa fase com mais calma, consciência e autocuidado,¹. Vamos lá?
Por que o colágeno diminui na menopausa?
Ao longo da vida, o corpo já reduz gradualmente a capacidade de produzir colágeno. Mas é na menopausa que essa queda se torna mais evidente e gera consequências para as mulheres.
Isso acontece porque o estrogênio, o hormônio que influencia diretamente as células responsáveis pela produção de colágeno (os fibroblastos), diminui ²,⁵
Veja como essa queda hormonal impacta a pele:
| Ação do Estrogênio na Pele |
Consequência na Menopausa |
Resultado Visível |
| Estimula a atividade dos fibroblastos. | Redução na produção de colágeno e elastina. | Pele mais fina e com menor firmeza. |
| Aumenta a produção de ácido hialurônico. | Diminuição da capacidade de reter água. | Pele mais ressecada e com menos viço. |
| Melhora a função de barreira e a vascularização. | Pele mais vulnerável e com menor nutrição. | Textura mais áspera e possível palidez. |
| Tem ação antioxidante e anti-inflamatória. | Aumento do estresse oxidativo. | Aceleração do envelhecimento intrínseco. |
Fonte: Baseado nos mecanismos descritos por Shah & Maibach (2001) e Rzepecki et al. (2019) ⁵,⁶

Suplemento de colágeno funciona na menopausa?
É comum surgir a dúvida: “Será que suplemento de colágeno funciona na minha idade?”. Estudos apontam que o colágeno hidrolisado pode ser um aliado interessante na rotina de cuidados, especialmente para mulheres maduras.
O que se observa na prática, segundo pesquisas, é que a suplementação contínua (geralmente por 8 a 12 semanas) pode contribuir para:
- Melhora a hidratação da pele ³.
- Aumento gradual da elasticidade e firmeza ³,⁴
- Suavização de rugas finas após algumas semanas de uso ³,⁴
É crucial salientar que ele não é um medicamento “para o envelhecimento” e nem substitui cuidados essenciais ou acompanhamento médico. Ele atua de forma complementar, como parte de um cuidado total com a pele.
Existe o melhor tipo de colágeno para pele madura?
Quando o assunto é pele na menopausa, os mais utilizados e estudados são os peptídeos de colágeno hidrolisado tipo I e II. Eles têm alta absorção e são formulados para estimular as células da pele ³,⁴.
Para potencializar os resultados, muitas fórmulas incluem nutrientes sinérgicos:
- Vitamina C: fundamental para a síntese de colágeno pelo próprio corpo;
- Antioxidantes: ajudam a combater o estresse oxidativo.
Dicas para o cuidado da pele na menopausa
Mesmo considerando a suplementação, a base do cuidado continua sendo os nossos hábitos diários. A pele na menopausa é mais sensível e cuidar dela com carinho faz toda a diferença,¹.
Na alimentação:
- Frutas ricas em vitamina C (laranja, acerola, kiwi).
- Proteínas de qualidade (ovos, peixes, carnes, leguminosas).
- Vegetais coloridos e antioxidantes.
- Consumo adequado de água.
Nos hábitos:
- Rotina de skincare focada em hidratação e proteção da barreira cutânea.
- Uso diário e não negociável de protetor solar (FPS 30 ou mais).
- Prática regular de exercícios físicos.
- Sono de qualidade.
- Acompanhamento com dermatologista ou ginecologista.
A menopausa é um convite à reconexão consigo mesma¹. O colágeno, seja na alimentação, seja na suplementação consciente, pode ser um nutriente que apoia todo esse processo. Mas o cuidado verdadeiro e eficaz está na soma de tudo isso que você aprendeu agora: autoconhecimento + rotina de alimentação + autocuidado consciente¹.
Referências
1 – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CLIMATÉRIO. Climatério e menopausa: um guia para mulheres. São Paulo: SOBRAC, 2024. 24 p. Disponível em: https://sobrac.org.br/wp-content/uploads/2024/11/A12361_Leigos_rev2mcow-FINAL.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025.
2 – BOLKE, L. et al. A collagen supplement improves skin hydration, elasticity, roughness, and density: results of a randomized, placebo-controlled, blind study. Nutrients, Basel, v. 11, n. 10, p. 2494, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.3390/nu11102494. Acesso em: 12 dez. 2025.
3 – CHOI, F. D. et al. Oral collagen supplementation: a systematic review of dermatological applications. Journal of Drugs in Dermatology, Nova York, v. 18, n. 1, p. 9-16, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30681787/ Acesso em: 12 dez. 2025.
4 – DE MIRANDA, R. B.; WEIMER, P.; ROSSI, R. C. Effects of hydrolyzed collagen supplementation on skin aging: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Dermatology, Oxford, v. 60, n. 12, p. 1449-1461, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ijd.15518. Acesso em: 12 dez. 2025.
5 – RZEPECKI, A. K. et al. Estrogen-deficient skin: the role of topical therapy. International Journal of Women’s Dermatology, Filadélfia, v. 5, n. 2, p. 85-90, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ijwd.2019.01.001 Acesso em: 12 dez. 2025.
6 – SHAH, M. G.; MAIBACH, H. I. Estrogen and skin: an overview. American Journal of Clinical Dermatology, Auckland, v. 2, n. 3, p. 143-150, 2001. Disponível em: https://doi.org/10.2165/00128071-200102030-00003. Acesso em: 12 dez. 2025.